quarta-feira, 23 de setembro de 2015

ProTEJO - MANIFESTO EM DEFESA DE UM TEJO VIVO

MANIFESTO EM DEFESA DE UM TEJO VIVO

das Concentrações de Cidadania em Defesa do Tejo

Rede de Cidadania por uma Nova Cultura da Água no Tejo/Tajo e seus afluentes

26 de setembro de 2015

A situação de todo o rio Tejo, e agora especialmente da sua cabeceira, é insustentável. Esta situação resulta de muitos anos de gestão irracional, liderados por pressões e interesses de outras bacias (como os dos utilizadores das águas do transvase Tejo-Segura), que somam um impacto exorbitante e injusto às pressões próprias de que a bacia do Tejo já padece: descargas de águas residuais da maior concentração humana e industrial da península, extrações de irrigação e abastecimento, as explorações hidroelétricas e nucleares, as extrações e descargas ilegais, a ocupação do domínio público hidráulico, a colonização de espécies invasoras, etc. No entanto, no Tejo a existência do Transvase Tejo-Segura condiciona toda a gestão do rio e impede que se tomem as medidas necessárias para inverter a sua deterioração e melhorar o seu estado. Esta gestão privou todos os cidadãos do Tejo e as suas povoações ribeirinhas de um património ecológico, social, cultural, paisagístico e económico de primeira ordem como é o Tejo e o resto dos rios desta bacia.

A água das barragens da cabeceira do Tejo deveria ser chave para garantir os usos no início do Tejo, e o seu bom estado ecológico. No entanto, as barragens de Entrepeñas e Buendia encontram-se atualmente abaixo de 14% da sua capacidade, enquanto na bacia do Segura as barragens se encontram a 44% da sua capacidade. Apesar deste contraste, nos últimos meses, o Ministério da Agricultura, Alimentação e Ambiente continuou a aprovar transvases desde a cabeceira do Tejo (agora transformado no "Mar de Aral de Castilla") para a bacia do Segura, tendo-se transvasado 155 hm3 durante este ano hidrológico (1 de Outubro 2014 - 1 outubro 2015), e autorizando-se a venda de 9 hm3 adicionais de água por parte das comunidades de regantes de Estremera e a Poveda no Tejo a regantes do Segura.

O novo Plano Hidrológico do Tejo (período 2015-2021), cuja aprovação está prevista para dezembro de 2015, é o culminar desta gestão e planeamento irracional, que continua contemplando o Tejo e os seus afluentes como meros recipientes de água para vender, transvasar e usar. Este novo plano assume servilmente a perda de prioridade da bacia do Tejo e dos seus cidadãos para o transvase Tejo-Segura, apesar de ser reconhecida essa prioridade por lei. Também pressupõe que o Tejo e seus afluentes não vão ter regime de caudais ecológicos obrigatório até 2027 (na melhor das hipóteses), mantendo tanto os irrisórios caudais mínimos do plano de 98 e da legislação do transvase, aprovada sem estudos científicos que os sustentem e condenando o Tejo e seus afluentes ao longo de décadas. Não há Diretiva Quadro da Água para a bacia do Tejo, nem se aplica uma nova política europeia da água aos nossos rios, prisioneiros de uma gestão hídrica enraizada em postulados do século XIX.

Em protesto contra esta situação muitos grupos e comunidades, vilas e cidades da bacia do Tejo, em Espanha e Portugal, unidos na Rede de Cidadania por uma Nova Cultura da Água no Tejo/Tajo e seus afluentes (www.redtajo.es) convocaram hoje, dia 26 de Setembro de 2015, concentrações em diversas localidades da bacia, para mostrar a sua indignação e exigir uma gestão desta bacia que contemple o valor ambiental e social do Tejo e seus afluentes e tenha como objetivo não deteriorá-lo ainda mais, protegê-los e recuperá-los como RIOS VIVOS para toda a cidadania.

Como consequência a cidadania da bacia do Tejo / Tajo manifesta:

• Rejeitamos a atual redação da proposta de Plano Hidrológico do Tejo para o período 2015-2021. Esta proposta dá continuidade à péssima gestão do rio expressa no plano de bacia atualmente em vigor (RD 270/2014 de 11 de Abril), que está em recurso pelos grupos da Rede junto dos tribunais espanhóis e denunciado perante a Comissão Europeia.

• Consideramos que o transvase Tejo-Segura é uma obra desatualizada, inviável no contexto das alterações climáticas em que as entradas de água na cabeceira do Tejo já diminuíram em 47%. O transvase não pode continuar sendo uma servidão perpétua para a bacia do Tejo. Na bacia do Segura há água de sobra para beber se se respeitar a prioridade de uso para abastecimento já que mais de 80% dos recursos são destinados à irrigação. Existe, além disso, uma ampla capacidade de geração de água com dessalinizadoras que foram em grande parte financiadas com fundos europeus. Se o preço da água dessalinizada é muito superior ao preço da água do transvase (que é fortemente subsidiado), e demasiado elevado para o agronegócio, este não é um problema que deva continuar a ser assumido pela bacia do Tejo, sendo que se devem encontrar canais políticos de resolução.

• O Plano Hidrológico do Tejo pendente aprovação considera o Transvase Tejo-Segura e a regulamentação derivada do Memorando do Tejo (primeiro as disposições finais da Lei de Impacto Ambiental e, na sequência do acórdão do Tribunal Constitucional, as da Lei 21/2015 de Montes) como um condicionante prévio ao processo de planeamento. Assim, o Plano contribui para que as necessidades da bacia do Tejo percam a prioridade que a lei lhes outorga sobre os possíveis transvases. Assim, distorce-se o processo de planeamento hidrológico no Tejo, que já não tem a capacidade para determinar os supostos excedentes de água transvasáveis nem o regime de caudais que devem circular pelos seus rios. Desta forma infringe-se a normativa europeia e estatal em matéria de proteção da água, planeamento hidrológico, avaliação ambiental, participação pública e proteção e gestão dos habitats naturais e das espécies dependentes da água.

• Denunciamos a situação do rio Tejo na Estremadura, um rio artificializado que perdeu a sua dinâmica natural por estar submetido a um forte aproveitamento hidroeléctrico e à gestão da central nuclear de Almaraz. Isto traduz-se na chegada a Portugla de caudais muito limitados - acordados na Convenção de Albufeira e turbinados segundo a conveniência hidroeléctrica - e contaminados, que são lesivos para o Tejo em Portugal.

Por tudo isto, as cidades, povoações e movimentos de cidadania de quatro Comunidades Autónomas (Madrid, Castilla-La Mancha, Castilla y León, e Extremadura) e dois países, Espanha e Portugal, unimo-nos para defender conjuntamente o rio Tejo e a sua bacia, e exigimos:

O estabelecimento no Tejo, e TODOS os rios da bacia, de um regime obrigatório de caudais ecológicos real que permita recuperá-los como Rios Vivos e ambientalmente saudáveis para todos os cidadãos, mantendo ao mesmo tempo o importante papel ecológico, cultural, paisagístico, económico e social que desempenham. Especificamente, exigimos o estabelecimento de um caudal mínimo ecológico no rio Tejo de, pelo menos, 11,74 m3 / s em Aranjuez, 23 m3 / s em Toledo e 27,82 m3 / s em Talavera de la Reina, com uma variação temporal semelhante à do regime natural.

O encerramento do transvase Tejo-Segura cuja permanência e novo regime de exploração (referido na regulamentação derivada do Memorando) não permite a recuperação do rio Tejo. Enquanto isso, exigimos a imediata paralisação da atual campanha de transvases e a recuperação dos volumes de água da cabeceira do Tejo até níveis que garantam as necessidades sociais e ambientais das povoações ribeirinhas.

Melhorar o tratamento de águas residuais em toda a bacia do Tejo, e, muito especialmente, as da Comunidade de Madrid que chegam à parte central do Tejo através do rio Jarama, a jusante de Aranjuez.

Exigir uma exploração hidroeléctrica na Estremadura que permita a chegada a Portugal de um regime de caudais ambientais em Cedilho e que se reduza e elimine a contaminação de todo o tipo no rio Tejo, incluindo a radioativa.

Melhorar a gestão do rio na parte portuguesa da bacia e exigir ao governo português um controlo efetivo sobre a poluição da agricultura, indústria, suinicultura, águas residuais urbanas e outras descargas de efluentes não tratados, e o estabelecimento de regimes de caudais ecológicos reais e efetivos nos rios portugueses da bacia do Tejo.

Bacia do Tejo/ Tajo, 16 de Setembro de 2015


--
Publicada por ProTEJO - Movimento pelo TEJO às proTEJO - Movimento Pelo TEJO a 9/23/2015 08:00:00 da manhã

terça-feira, 28 de julho de 2015

Esta não é a minha praia!


Já reparou no lixo que está à sua volta?

Quando for à praia, fique atento e registe o lixo marinho que encontra: o grande, o pequeno e o pequenino…
Fotografe e envie* as suas fotos para ap.lixomarinho@gmail.com e para coastwatchnacional@gmail.com  podendo pubicar na página do evento no Facebook sempre com a indicação do local, data e nome.

Ajude-nos a criar um registo do lixo marinho que aparece nas praias portuguesas este verão!

Quando for possível, sugerimos que recolha o lixo e o coloque num contentor próximo. Ajude-nos a limpar as praias e a sensibilizar as pessoas à sua volta!

Esta campanha conta com o apoio da APA, ABAE, Brigada do Mar, CIMA, Docapesca, Ecozoic, FCT-UNL, GEOTA, LPN, Município de Alcobaça, Museu do Mar Rei D. Carlos - Cascais, OMA, Quercus, Sciaena, SPEA e Tara Recuperável. 

 * Ao submeter a sua foto está a ceder à APLM licença de uso livre (royalty-free license).”


sexta-feira, 17 de julho de 2015

Lagoa Pequena: um exemplo da aplicação das leis que protegem a Natureza

Locais como este apenas existem porque as diretivas europeias das aves e habitas protegeram estes paraísos  

16 julho de 2015 - A Lagoa Pequena em Sesimbra, é um local privilegiado de convívio com a Natureza, que faz parte da Rede Natura 2000 e possui espécies emblemáticas como o camão, a garça-vemelha, a lontra, ou a rara planta ameaçada Armeria rouyana. 

Este hotspot de biodiversidade dispõe de infraestruturas pensadas para a observação de aves, caminhadas curtas e piqueniques. É um local fechado, mas que mediante um bilhete com um preço simbólico, permite ao visitante passear e usufruir do convívio com a Natureza. Existem também os percursos pré-definidos “Garças e “Camão”. Recentemente, uma ação de voluntariado da IBM Portugal reabilitou as infraestruturas, tornando o local ainda mais aprazível. 

Mas locais como este estão em risco. A Comissão Europeia quer alterar as leis que protegem a Natureza. O que vai mudar ao certo ninguém sabe, mas sob o pretexto da crise económica sabemos que as alterações não serão favoráveis ao ambiente. O pretexto da atual conjuntura económica poderá fazer com o estado da Natureza a médio prazo na UE seja dramaticamente afetado. Estas leis são vitais à conservação da Natureza e sem elas o ambiente deixará de ser como o conhecemos. 

A Lagoa de Albufeira, é constituída por três lagoas: a Grande, a pequena e a da Estacada e faz parte do concelho de Sesimbra, freguesia do Castelo. Rodeada por um pinhal, esta Lagoa é alimentada pela água doce das ribeiras da Apostiça, Ferraria e Aiana e pela água salgada do mar, quando o cordão dunar é aberto, normalmente à sexta-feira santa, ou perto da Páscoa. 

Reserva Ecológica Nacional desde 1987, é uma zona de protecção ambiental e por isso tem vindo a crescer como habitat de várias espécies, como aves, mamíferos e anfíbios, sendo hoje um ponto de Birdwatching com uma procura significativa. A lagoa Pequena e a lagoa da Estacada são classificadas como Zona de Protecção Especial (ZPE), Sitio de Interesse Comunitário e Sítio Ramsar. 

Tem ainda excelentes condições para a prática de vela, windsurf, kitesurf e canoagem. A zona do mar é também muito procurada na época balnear como praia e para a prática de surf e bodyboard. 

“A zona da ZPE é uma zona essencial a toda a Lagoa e a sua importância vai desde ser parte do ecossistema, passando pela sensibilização ambiental que faz chegar às pessoas até aos benefícios económicos que trás a todos nós, que vivemos e trabalhamos nela” diz Rui Meira, proprietário da Escola Meira Pro Center, “é demasiado óbvio o interesse que um local privilegiado destes pode trazer ao nosso concelho, sem esquecer que está a poucos kms de Lisboa”. 

Atualmente encontra-se a decorrer uma consulta pública na Europa para saber o que os cidadãos pensam em relação às leis que protegem o ambiente e locais como este. Atualmente já se ultrapassou o record de assinaturas já alguma vez atingido numa consulta pública na Europa. Mas são ainda precisas mais vozes para se juntar às mais de 370 mil atuais! 

De acordo com a Coligação “a Lagoa Pequena é um caso de sucesso em Portugal, de um local protegido que atrai centenas de visitantes todos os anos, onde se realizam visitas de estudo das escolas da região e que contribui para a economia local. Se queremos que estes locais continuem a existir precisamos de ter leis fortes que protejam a natureza. Sem elas os locais como este e outros paraísos no nosso país já não existiriam, destruídos por projectos muitas vezes desadequados e sem valor para as populações. Se queremos que estes locais continuem a existir para as gerações futuras, temos que nos juntar e lutar pela defesa das directivas Aves e Habitats. “ 

Esta iniciativa é promovida pela Coligação C6, plataforma de ONGs de Ambiente portuguesas, que dinamiza em Portugal a campanha SOS Natureza.

A consulta estará online até 24 de julho e os cidadãos podem continuar a participar em www.naturealert.eu. Assista também ao spot que promove a campanha com a voz do Eduardo Rego, conhecido por dar voz aos documentários da BBC Vida Selvagem em Portugal, e que teve o apoio do Loving the Planet em https://vimeo.com/127821858. 

Junte-se às vozes que protegem a Natureza. São só dois cliques!

terça-feira, 30 de junho de 2015

6.º aniversário da Reserva Natural Local do Paul de Tornada


Realiza-se  no dia 2 de Julho de 2015, entre as 16h15 e as 19h30, no Centro Cultural de Congressos de Caldas da Rainha.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Lembrete! 27 de Junho - Seminário da Rede DLBC Lisboa


Relembra-mos que faltam apenas dois dias para Seminário "Como desenvolver uma Estratégia de Desenvolvimento Local para a cidade de Lisboa", que terá lugar no dia 27 de Junho, no Fórum Lisboa, na Avenida de Roma, n.º 14.

Em cima encontra-se o programa mais actualizado, com o nome dos convidados pela Rede DLBC Lisboa para integrarem as várias rúbricas do Programa.

As inscrições ainda estão abertas até amanhã às 14 horas! INSCREVA-SE
Esperamos vê-los todos em breve, contamos com a vossa participação!

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Encíclica Laudato Si

No dia 18 de Junho foi publicada a  Encíclica  "Laudato si' - Sobre o cuidado da casa comum", tendo havido reações de apoio de muitas instituições estados e individualidades e cidadãos.

Pela importância política que esta encíclica “verde”, revela, numa altura em que o planeta enfrenta uma das mais sérias crises ambientais, sócias e económicas sugerimos a sua leitura bem como o visionamento de um vídeo da BBC que apresenta a conclusão de um estudo por três universidades americanas Stanford, Princeton e Berkeley que conclui que o planeta terra já entrou num novo período de extinção massiva de espécies e que os humanos podem estar entre as primeiras baixas.
Esta encíclica do Papa Francisco, dirige-se não só aos cristãos, mas «a cada pessoa que habita neste planeta» e invoca a «solidariedade universal» para «unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral».
A encíclica é um documento muito bem organizado, em seis capítulos e 246 parágrafos, partindo de uma avaliação do estado do planeta em relação às alterações climáticas e ao ambiente, faz uma reflexão sobre as causas, lança desafios e define linhas de ação, como seria de esperar de um Papa com o perfil de Francisco.
O Papa expressa na encíclica, a urgente necessidade de agir para uma resposta à degradação ambiental e alterações climáticas que não pode ser definida apenas pela ciência, tecnologia ou pela economia pois é também um imperativo moral.
Saiba mais em: http://www.geota.pt/scid/geotaWebPage//defaultArticleViewOne.asp?categoryID=720&articleID=2409

quarta-feira, 17 de junho de 2015

SEMINÁRIO “O Território Marítimo Português: Direito do Mar e Gestão Sustentável”


O Seminário visa a participação de todos os interessados no meio marinho, desde responsáveis pela tutela, investigadores, empresários e profissionais do mar até aos praticantes de atividades de recreio no mar e tem os seguintes objetivos principais:

1- Caracterizar e debater os instrumentos de jurisdição marinha: esclarecer qual a jurisdição portuguesa ao nível marinho, no que diz respeito a recursos vivos, coluna de água e fundos marinhos e quais as entidades que exercem essa jurisdição.

2- Apresentar os instrumentos de conservação e gestão sustentável do meio marinho em Portugal (Continente, Açores, Madeira, Plataforma Continental Estendida). Debater o estado da sua implementação, i.e. quais as medidas de gestão, monitorização e fiscalização implementadas e quais os procedimentos que estão a ser desenvolvidos com vista à eficiência de implementação.

3- Identificar e analisar os principais desafios de gestão sustentável do meio marinho e discussão de meios e métodos necessários para a sua resolução.

 Inscrição é gratuita mas obrigatória.