segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Posição do GEOTA no Dia Mundial do Turismo



Lisboa, 27 de Setembro de 2011

Turismo – A maior indústria do mundo     

                    

As viagens e o turismo, apesar da conjuntura económica mundial, estão progressivamente a recuperar, tendo contribuído em 2010 para cerca de 5% do produto interno bruto mundial, 6 a 7% ao nível do número de postos de trabalho, directos e indirectos, e registando uma expectativa de crescimento de 4% ao ano, de acordo com os últimos dados apresentados pela Organização Mundial de Turismo. Em termos de chegadas turísticas internacionais, depois das quebras provocadas pela crise financeira e recessão económica mundial em finais de 2008 e 2009, assistiu-se em 2010 a um incremento de 6,6% deste indicador, que atingiu 940 milhões de chegadas. Espera-se ainda que os números de chegadas turísticas internacionais quase dupliquem em 2020, para 1,6 mil milhões.
Em Portugal, o turismo assume-se como um sector de extrema importância na economia, variando, consoante os anos, entre 7 e 11% na última década para o PIB nacional. Emprega, directa e indirectamente, meio milhão de pessoas, sendo também uma importante fonte de investimento e desenvolvimento para um elevado número de áreas periféricas, apresentando-se também em recuperação, com uma expectativa de crescimento das receitas do turismo a rondar os 7%. É de destacar ainda que o turismo é o maior sector exportador do país, tendo representado cerca de 14% do total de exportações de bens e serviços em 2010, de acordo com os dados da Conta Satélite do Turismo de Portugal (INE, 2010).

Turismo e Sustentabilidade


O fenómeno turístico é um agente que tem provocado grandes impactes, tanto pela sua enorme repercussão económica e social, como pela incrível transformação que a paisagem costeira tem sofrido, na convergência do fenómeno de litoralização que se tem verificado em todos os países costeiros do Mediterrâneo e da Europa. É frequente, em muitos pontos da nossa costa, uma edificação abusiva (por vezes licenciada pelas autoridades competentes), cujos efeitos sobre a instabilidade das arribas e da gravidade dos riscos de desmoronamento e vulnerabilidade a fenómenos climáticos e sísmicos extremos aumentam.
Hotéis, transporte de turistas e actividades relacionadas consomem quantidades enormes de energia, água e outros recursos e geram poluição e resíduos, frequentemente em destinos que não se encontravam preparados para lidar com esses impactes. E muitas comunidades sofrem choques culturais e outras alterações indesejadas que acompanham os números elevados de visitantes. Embora, nos últimos anos, a ameaça do terrorismo, a agitação política e a crise económico-financeira mundial tenham reduzido o número de viagens internacionais, a médio e longo prazo, é esperado que a procura turística continue a crescer.
A sociedade está cada vez mais consciente de que o território e o ambiente são um património a preservar, melhorar e gerir. Este conceito adopta um papel chave no caso do turismo e, particularmente, no turismo sustentável. O território já não é, simplesmente, um cenário que serve de suporte à actividade turística, mas é parte essencial da mesma actividade. O ambiente não é uma decoração ou uma moda, mas sim um factor determinante na qualidade e singularidade da experiência turística.
A protecção da paisagem e de inúmeros espaços importantes para a conservação e manutenção do contínuo natural que resultaram da interacção cuidada e cautelosa da acção humana e da Natureza, durante milénios, constitui uma prioridade absoluta que é necessário fazer compreender a todas as partes interessadas na actividade turística: investidores, decisores, técnicos e, muito especialmente, as populações locais.
Mais do que isso, é responsabilidade de toda a sociedade o criar de condições, político-administrativas, económicas, legislativas e regulamentares, culturais, infra-estruturais, para demonstrar que vale a pena proteger o nosso património natural e cultural, que vale a pena proteger as nossas áreas costeiras, as nossas ilhas, as nossas reservas marinhas, o nosso mar, esse imenso Portugal.
O turismo sustentável é uma questão importante e deve ser integrado em todas as áreas do sector, independentemente da dimensão das empresas. Não tem a ver com a quantidade de capital investido ou com o modelo de negócio, mas sim com a forma como os aspectos socioculturais, económicos e ambientais intervêm como valores a gerir.
A certificação ambiental é uma ferramenta de diferenciação internacional reconhecida mas com baixos níveis de implementação no sector. O desafio mais ambicioso é captar o interesse dos empresários até agora pouco motivados para estes aspectos. O desenvolvimento da performance ambiental com base nas exigências do consumidor é positivo mas tem ocorrido lentamente.
Sobre a certificação dos empreendimentos turísticos, verifica-se a existência de um número demasiado elevado de rótulos no mercado, o que pode gerar confusão e, a certo ponto, enfraquecer o seu valor. A certificação deve ser vista com um “prémio” de reconhecimento e não como o objectivo principal para a implementação de sistemas de gestão ambiental, de qualidade ou outros.
O assumir, por parte das empresas da conglomeração do turismo, da sua responsabilidade social e ambiental é um factor necessário, mas não suficiente para assegurar a sustentabilidade da actividade turística. Mais importante que as politicas, boas práticas, a melhoria contínua e certificação das empresas, interessa a sustentabilidade dos destinos turísticos, no seu todo, como factor de competitividade e atractividade, face à concorrência cerrada de alguns destinos emergentes, exóticos e menos onerosos (América do Sul, Norte de África, Turquia, Caraíbas, Ásia e Pacífico), de crescente expressão no mercado internacional. É, por isso, fundamental, por parte dos empresários nacionais, uma atitude de antecipação face às exigências do consumidor.
Qualquer plano estratégico para o turismo nacional que se venha a configurar no futuro em Portugal deverá ter a sua contraparte eficaz nos instrumentos de gestão territorial e nos instrumentos de política de ambiente em vigor ou em preparação.

O turismo sustentável não é uma questão de opção, é uma questão de sobrevivência que nos envolve a todos.

sábado, 24 de setembro de 2011

Câmara da Moita recebe prémio nacional Mobilidade em Bicicleta



http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1513114
A Câmara da Moita foi distinguida ontem com o prémio nacional Mobilidade em Bicicleta, galardão atribuído pela Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicletas. 

Agência do Ambiente dá parecer desfavorável a pedreira em Alverca



http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1513372


"O Ministério do Ambiente confirmou o parecer desfavorável, por parte da Agência Portuguesa do Ambiente, à avaliação de impacte ambiental de uma pedreira em Arcena, Alverca, a qual tem sido contestada pela população."  

http://www.geota.pt/scid/geotaWebPage/defaultArticleViewOne.asp?categoryID=720&articleID=2214
O GEOTA desenvolveu um parecer a pedido da C.M.de Vila Fraca de Xira sobre esse Estudo de Impacte Ambiental 


O projecto em consulta, a Pedreira “Arcena”, pretende assegurar a existência de cálcario e margas para, em conjunto com a produção da Pedreira “Bom Jesus”, alimentar a fábrica de cimento de Alhandra, estendendo o seu funcionamento por um período de 59 anos. Outro objectivo declarado pelo promotor é “garantir uma configuração final de lavra compatível com a instalação de células que permitam a expansão do Aterro de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) localizado em Mato da Cruz, também conhecido por Aterro Sanitário de Mato da Cruz (ASMC)”, uma vez que a actual capacidade das suas células se encontra próxima do esgotamento.
Apesar de o EIA se apresentar consistente e bem documentado, tanto na análise da situação de referência como na avaliação de impactes e medidas de minimização, surgiram dúvidas em relação a diversos parâmetros, principalmente aqueles associados à expansão do Aterro. Conforme descrito adiante, consideramos que este EIA carece de estudos mais aprofundados para uma completa percepção dos impactes, tanto junto das populações como dos valores naturais existentes.
De acordo com a avaliação efectuada do EIA da Pedreira “Arcena” consideramos que a justificação do projecto é insuficiente, na actual conjuntura socioeconómica do país, uma vez que a Pedreira “Bom Jesus”, em exploração pela CIMPOR na mesma área geográfica, garante o abastecimento de matéria-prima para essa empresa por mais 30 anos, dispensando, portanto, a geração de impactes negativos que nalguns aspectos, podem ser significativos.
A criação de novos postos de trabalho com a implementação do projecto não se apresenta como relevante face às consequências negativas do empreendimento, e serão provavelmente compensadas negativamente pela depreciação do mercado imobiliário na freguesia de Alverca, que apresenta a maior densidade populacional do concelho de Vila Franca de Xira.
Uma vez que se trata na verdade de um projecto conjugado de exploração mineira e Aterro, visando facilitar a expansão do Aterro Sanitário de Mato da Cruz, consideramos que o âmbito do estudo deveria ter sido alargado para contemplar essa vertente do projecto, bem como as alternativas técnicas e de localização do futuro Aterro. Dado ainda o processo de fusão Valorsul/Resioeste, o âmbito geográfico da consulta do público deveria abranger os concelhos servidos por essas duas empresas.
Por conseguinte, consideramos que deverá ser dado um parecer desfavorável a este EIA.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

DIA SEM CARROS - Ou com adequados transportes colectivos?


Financiamento dos transportes colectivos nas áreas metropolitanas

Façam-se as contas com transparência. O transporte individual deve ajudar a financiar o transporte colectivo!

Consulte aqui a opinião do GEOTA a propósito do Dia Sem Carros (22 Setembro de 2011).

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

GEOTA faz 30 anos de actividade

O GEOTA faz este ano (2011) 30 anos de actividade enquanto grupo de reflexão e intervenção para o ambiente e o desenvolvimento sustentável.

Para isso, lançou uma nova imagem gráfica para o seu logótipo, apenas a usar este ano e em vários formatos, conforme o contexto em que se inserem.





quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Ser associado do GEOTA, porquê?


  1. Porque queremos conquistar a coisa mais importante que existe: legar aos nossos netos (ainda que por nascer) um mundo de que se possam orgulhar. É este o nosso entendimento de desenvolvimento sustentável.
  2. Porque, como diz o ditado, a união faz a força: a nossa influência é proporcional ao número dos nossos associados, e Portugal bem precisa da nossa influência e da nossa força.
  3. Porque recebe informação regular, seja sobre as posições do GEOTA seja sobre publicações, cursos de formação, passeios e outras actividades lúdicas e didácticas desenvolvidas pelo GEOTA.
  4. Porque  damos valor às suas ideias, preocupações e conhecimentos, que são essenciais para que as nossas posições sejam realistas e bem fundamentadas. Uma associação vive com os seus associados.
  5. Porque cada associado tem um papel essencial na divulgação das posições do GEOTA: um associado convicto é muito mais eficaz que um anúncio televisivo.
  6. Porque a sua simples quota ajuda a manter a infra-estrutura do GEOTA: secretariado, comunicações, água, luz; e projectos de intervenção politicamente incorrectos e como tal não financiáveis por empresas ou instituições públicas...
  7. Porque o GEOTA é independente do poder económico e político-partidário: criamos pensamento político fora dos partidos, sabemos relacionar-nos com empresas e instituições sem confundir interesse público e privado; e somos transparentes em todo o nosso relacionamento com essas entidades.
  8. Porque através do GEOTA tem a oportunidade de participar em acções que pretendem mesmo mudar o estado das coisas: pode ser voluntário em projectos de educação ou intervenção, já existentes ou propostos por si.
  9. Se optar por servir como voluntário, irá integrar uma equipa empenhada e bem disposta, obter e trocar conhecimentos invulgares, observar e intervir na formulação de políticas nacionais e internacionais de ambiente e desenvolvimento; em suma, ser um cidadão de corpo inteiro.
  10. Ser voluntário é uma experiência de vida ímpar, dando de nós à sociedade onde vivemos. Há tanta coisa para melhorar em Portugal e no mundo! Individualmente é impossível, mas colectivamente podemos fazer muito. É um caminho difícil, mas são esses os caminhos que valem a pena.
Por tudo isso, preencha e envie-nos a sua ficha de associado/a (http://www.geota.pt/scid/geotaWebPage/defaultArticleViewOne.asp?categoryID=736&articleID=1872e ajude-nos a conseguir passar a mensagem aos seus amigos e familiares. A sua opinião é importante para nós. Conte-nos a sua história. Porque se decidiu tornar associado/a?

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A extinção da Parque EXPO

Primeiro que tudo, uma declaração de interesses. Moro no Parque das Nações e gosto muito de lá morar. Cresci nos Olivais, ou seja, o "lado oriental” é o “meu lado” da cidade.

Não gostei do modo como vi o Governo, através da Ministra do Ambiente, anunciar a extinção da Parque EXPO. Procurei um texto oficial do Governo, para fugir ao “filtro” das notícias, mas não encontrei. Ao ouvir as notícias pairavam no ar duas ideias:
- A Parque EXPO seria uma empresa que já não era necessária;
- A Parque EXPO tinha uma dívida muito grande.

Não me parece justo tratar assim uma instituição que efectuou uma das maiores reconversões urbanas em Portugal e que foi responsável pela organização de uma Exposição Mundial de sucesso, em minha opinião. Mesmo em termos de gestão urbana do actual Parque das Nações, uma coisa posso garantir, a gestão urbana é eficaz, em especial quando comparada com o que nos habituam as câmaras municipais. Se é eficiente… já não sei, uma vez que não conheço os custos associados e se são maiores ou menores do que os de outras entidades para serviços prestados equivalentes.

Quanto ao valor da dívida - parece-me demagogia não considerar o valor do activo. Por outro lado, se é verdade que a EXPO98 custou muito dinheiro aos contribuintes portugueses, também é verdade que há muitas mais valias para a cidade e para o país que devem ser consideradas.

Não estou contra a extinção da Parque EXPO pelos seguintes motivos:
- A gestão urbana do Parque das Nações tem de ser resolvida e adoptado o modelo que se se segue no resto do país;
- Há muitas empresas a prestar os serviços que a Parque EXPO hoje desenvolve, já não sendo necessário ser o Estado a assegurar essa função, como ocorreu para a concretização da EXPO98.

Se fosse ministro gostava de conseguir anunciar a extinção de outro modo, lembrando o importante papel que a Parque EXPO teve, em especial na criação do Parque das Nações. Hoje o Parque das Nações é um território com uma qualidade urbana muito superior à que é habitual em Portugal. E, contrariamente, ao que por vezes se ouve, é um território aberto a todos. Basta ver, e ainda bem, a quantidade e variedade de pessoas (não moradores) que utiliza o espaço para momentos de lazer.

Para que muitas das mais valias que o Parque das Nações representa não se perca, importa resolver bem a questão da gestão urbana, nomeadamente a passagem para as câmaras municipais. Um município ou dois municípios? O Parque das Nações tem uma identidade própria, pelo que me parece importante que esta coerência seja mantida. Tenho lido alguns textos que aparentam algum elitismo e tentam “afastar” a câmara de Loures. Não gosto desses textos. Nada tenho contra, antes pelo contrário, relativamente a Loures. O importante, reforço, é manter a coerência do Parque das Nações. Que tal fazer-se uma discussão pública sobre este tema? Que tal dinamizarem-se sessões de discussão sobre o assunto? Como morador, estou pronto a participar e a ajudar na organização.

Pedro Costa*

*Este texto representa somente a opinião do seu signatário