quinta-feira, 28 de março de 2013

EU member states refuse to even try to clean up toxics in water


EU member states refuse to even try to clean up toxics in water

[Brussels – 28 March 2013] A preliminary deal carved out last Wednesday evening by negotiators from the Irish Presidency and the European Parliament, led by Richard Seeber MEP, on a proposal for new chemical quality standards for European waters, was rejected yesterday by the Council, which wanted to further weaken the deadlines for preparing and putting in place measures to deal with chemical pollution of water. The EEB, strongly rejecting the preliminary deal, is shocked by Member States’ utter disinterest and unwillingness to tackle pollution of water by chemicals.
The compromise agreement between the political groups and the Irish Presidency would have postponed the deadline for reaching the objective of ensuring good chemical status of our waters for new substances by almost a decade, from the end of 2021 to the end of 2027. Member States (MS) would in addition still be allowed to use the derogation provided for in the Water Framework Directive (WFD) and potentially postpone meeting the objective until 2039.
Moreover, little would be done to address the risks posed by the presence of pharmaceuticals in our rivers, lakes and coasts. The removal of 3 pharmaceuticals from the list of Priority Substances and placement instead on the so called ‘watch list’ shows a complete disrespect on the part of Governments and MEP’s for the solid scientific evidence demonstrating the detrimental impacts of pharmaceuticals upon freshwater ecosystems and discredits the prioritisation process of the WFD.
Now this deal was rejected yesterday by several MS as ‘being too ambitious’, since it would require MS to prepare a preliminary programme of measures to tackle the pollution by chemicals in 2018, with a view to be put in place after 2021. This was viewed by these MS as being too soon. They also insisted on further changes to be made that could potentially violate the no deterioration principle of the Water Framework Directive.
Martina Mlinaric, EEB Senior Policy Officer for Biodiversity, Water and Soil Protection, said ‘It seems that MS, without any qualms of conscience, finally pressed the button to once and for all flush the nasty chemicals down the drain, where they will continue killing our rivers, lakes and wetlands and endanger our health. It is a sad fact that this prime opportunity to tackle the pollution from a very small number of known toxic substances will not be grasped. Member States and the European Parliament have instead preferred to hide behind misplaced arguments about cost.’
She added ‘Many more dangerous chemicals were not even part of this proposal, therefore it does not bode well for Europe’s rivers, lakes and citizens’ health that a basic few could not be tackled.’
*ENDS*

quinta-feira, 21 de março de 2013

Nota de imprensa: Dia Mundial da Água


Nota de imprensa: Dia Mundial da Água
22 Março 2013
Uso eficiente da água ou ameaça aos ecossistemas, património e economia?
Por ocasião do Dia Mundial da Água, que hoje se celebra, e no Ano Internacional da Cooperação pela Água, o GEOTA congratula-se com a reactivação do Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água (PNUEA). Sendo a água um recurso limitado é necessário que seja protegido, conservado e gerido face às necessidade estratégicas do país; é prioritário aumentar as disponibilidades de água usando melhor os recursos existentes, com medidas eficazes e melhores práticas nos diversos sectores, minimizando investimentos caros em novas infra-estruturas.
O PNUEA 2012-2020 tem como principais objectivos: (i) melhoria da eficiência de utilização da água em Portugal, sem pôr em causa as necessidades vitais, a qualidade de vida das populações e o desenvolvimento socioeconómico; (ii) minimização dos riscos de rotura decorrentes da carência de água; (iii) desenvolvimento de uma nova cultura da água em Portugal, numa óptica de desenvolvimento sustentável; (iv) redução da poluição em massas de água; (v) redução do consumo de energia.
Não podemos nesta ocasião deixar de relembrar o Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), que continua a ser um atentado ambiental, um desastre económico e social, contraditório aos objectivos do PNUEA e infringindo a lei nacional e comunitária, em particular a Directiva-Quadro da Água e a Directiva Habitats. O PNBEPH promoveu a aprovação de 9 novas barragens, que destruirão o património e o potencial turístico de outros tantos rios, a pretexto de aumentar a produção de energia renovável e reduzir a dependência energética. Na verdade, as novas barragens representariam apenas 0,5% da energia primária do País, com um custo por kWh pelo menos 10 (dez) vezes mais caro que as alternativas de uso eficiente da energia, e iriam implicar um acréscimo médio de cerca de 10% na factura da electricidade das famílias. Parar este programa megalómano e fraudulento é uma oportunidade de ouro para cortar na despesa pública e poupar biliões de Euros às famílias portuguesas.
Outro instrumento estratégico, o Plano Nacional da Água, conta já com três anos de atraso. Este Plano visa estabelecer as grandes opções da política nacional, enquadrando os planos de gestão de bacias hidrográficas, ferramentas essenciais para a boa gestão da água.
No dia em que se celebra o Dia Mundial da Água, é importante ainda recordar números inquietantes da FAO (Food and Agriculture Organization da ONU): 1100 milhões de pessoas não têm acesso a água potável; 2600 milhões de pessoas não dispõem de saneamento básico; cada dia 3 800 crianças morrem vítimas de doenças relacionadas com a falta de higiene e de água potável. Hoje uma em cada cinco pessoas vive numa região atingida pela escassez de água, e em 2025 este indicador poderá degradar-se para duas em cada três pessoas.
No contexto actual de crise económica e ambiental, nacional e mundial, o conhecimento científico dos problemas devem ser fulcral na tomada de decisões assertivas, baseadas numa governança participada, activa, motivada, transparente. Temos de definir prioridades para uma boa gestão dos recursos hídricos, não para satisfazer qualquer ideologia ou interesse sectorial, mas para servir as pessoas, da geração actual e das gerações futuras.

Empreendimento Turístico da Mata de Sesimbra Sul







Empreendimento Turístico da Mata de Sesimbra Sul
Câmara de Sesimbra insiste no erro de um
mega-empreendimento com fortes impactes negativos na região

Terminou esta semana o período de consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) do projecto dos Edifícios do Empreendimento Turístico da Mata de Sesimbra Sul, em fase de estudo prévio.

Antecedentes da presente Avaliação de Impacte Ambiental
Este projecto tem vindo a ser apresentado desde 2006, aquando da apresentação do Plano de Pormenor da Mata de Sesimbra Sul. Na altura, as Associações signatárias manifestaram a sua discordância com o que consideravam ser um projecto claramente excessivo para a sua zona de implantação e para a sustentabilidade de toda a área envolvente.

Apesar das advertências e mesmo após algumas alterações, o projecto manteve a sua essência. Com mais de 17 000 camas turísticas previstas, a maioria das quais moradias, e 3 campos de golfe, a ser concretizado, este projecto significa a construção de uma verdadeira cidade, numa zona até agora de uso florestal.

O Empreendimento Turístico da Mata de Sesimbra Sul foi já em 2009 objecto de um primeiro procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA). A Declaração de Impacte Ambiental então emitida, favorável condicionada, impôs a realização de um segundo procedimento de AIA relativo à componente de edifícios do projecto, que não havia sido avaliada no Estudo de Impacte Ambiental.

O período de consulta pública desta segunda AIA terminou no passado dia 18.

Um novo Estudo de Impacte Ambiental mas os mesmos erros
As Associações signatárias verificam que o presente Estudo de Impacte Ambiental (EIA) revela que os erros passados persistem e que nem a actual conjuntura económica conseguiu induzir uma reavaliação do projecto. As principais questões e dúvidas que se encontravam subjacentes na AIA anterior, e que as ONGA signatárias oportunamente apontaram, mantêm-se praticamente intactas. Resumidamente, destacamos:

  1. A viabilidade económica do projecto
Como se insere este projecto numa estratégia para o turismo na Península de Setúbal? É de salientar que estão neste momento contemplados, para o todo da Península de Setúbal, 7 (sete) campos de golfe e mais de 30 000 (trinta mil) camas turísticas. Como é garantida então a viabilidade económica do projecto em face do que é claramente uma oferta excessiva e competitiva entre si?

  1. Os impactes cumulativos
Tendo em conta os projectos previstos para a região referidos anteriormente, importa referir que nunca foram devidamente avaliados os impactes cumulativos sobre o território, quando levados em consideração os restantes empreendimentos propostos para a região. Estamos em presença do planeamento da construção de um continuum urbano do Seixal até Sesimbra, com toda a pressão e impactes sobre as áreas classificadas existentes na proximidade e as populações residentes que daí decorrerão, e que nunca foram avaliados.

  1. Impactes sobre o ordenamento do território (acessibilidades e dinâmica territorial)
Verifica-se que a análise que é efectuada sobre o ordenamento do território apenas se limita a avaliar as condicionantes. O impacte sobre o território é pois apenas uma mera questão de servidões. De relembrar que o Plano de Acessibilidades para o Concelho de Sesimbra, afirma claramente que, mesmo com todas as medidas preconizadas, não seria possível garantir as acessibilidades para o nível de ocupação que este empreendimento pressupõe.

  1. Impactes sobre os recursos hídricos, o abastecimento de água e o saneamento
Nunca é avaliada a pressão exercida sobre os recursos hídricos num quadro de alterações climáticas, em que as disponibilidades hídricas actuais poderão vir a ser drasticamente reduzidas. Nunca é avaliada a pressão sobre o aquífero profundo, tendo em atenção a sua proximidade ao litoral e os perigos da intrusão salina e não são devidamente ponderadas as consequências que uma ocupação desta dimensão pode ter sobre um aquífero superficial muito vulnerável à contaminação e com a área sensível da Lagoa de Albufeira imediatamente a jusante.

  1. Impactes sobre a biodiversidade e sobre as áreas classificadas
Também não são avaliados os impactes na biodiversidade, em termos de fragmentação de habitats e do continuum natural, ou os impactes sobre a fauna e a flora ou sobre as áreas classificada, nomeadamente sobre o Sítio de Importância Comunitária “Fernão Ferro” e sobre a Zona de Protecção Especial para as Aves “Lagoa Pequena”.

  1. Candidatura da Arrábida a Património Mundial da Humanidade
Em que medida um projecto desta dimensão e com estas características, que irá alterar profundamente a paisagem e os ecossistemas existentes no local, não poderá interferir e colocar em causa o projecto de Candidatura da Arrábida a Património Mundial da Humanidade? Esta questão nunca foi sequer equacionada.

O Empreendimento Turístico da Mata de Sesimbra Sul consubstancia um atentado ambiental na região
As Associações signatárias reiteram o que têm afirmado desde que a intenção de construção deste projecto foi conhecida. Este é um projecto megalómano, cuja viabilidade económica, para mais na actual difícil conjuntura nacional e europeia, é muito duvidosa. Acresce ainda que a oferta turística já existente na região e suas imediações satisfaz neste momento as necessidades, estando muito longe da ocupação completa nas épocas de maior procura.

Quantas habitações se encontram abandonadas ou por vender no Concelho de Sesimbra? De acordo com o Censo de 2011, só neste concelho existem 2836 alojamentos devolutos, o que significa capacidade habitacional na ordem das 10 000 pessoas. E quantas construções estão inacabadas? Se este projecto se revelar inviável, qual o impacte que um conjunto edificado abandonado e em degradação terá na paisagem, no solo e nos recursos hídricos? E o contributo para o (des)ordenamento do território, do qual não faltam péssimos exemplos em várias regiões do país?

Por tudo o que foi acima exposto, as ONGA signatárias consideram que este projecto, com esta dimensão e estas características, continua a não ser viável para a área onde está projectado e, uma vez mais, rejeitam a implementação do Empreendimento Turístico da Mata de Sesimbra Sul e apelam a uma decisão desfavorável em sede de AIA.

Lisboa, 22 de Março de 2013

As Direcções Nacionais da
LPN - Liga para a Protecção da Natureza , Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza e GEOTA – Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente
_____________________________________________________
Para mais informações contactar:
QUERCUS – Associação Nacional de Conservação da Natureza
Carla Graça
GEOTA – Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente
João Joanaz de Melo
LPN - Liga para a Protecção da Natureza
João Camargo

quarta-feira, 6 de março de 2013

PARECER SOBRE O EIA DA PEDREIRA “VALE MARIA”







PARECER SOBRE O EIA DA PEDREIRA “VALE MARIA”
(freguesia de Alcanede, concelho de Santarém)
no âmbito do processo de consulta pública
6 de Março de 2013

Sumário

A pedreira proposta “Vale Maria” iria destruir o Algar das Gralhas, gruta com relevância científica e abrigo de morcegos protegidos; iria ameaçar o Centro de Interpretação Subterrâneo da Gruta Algar do Pena, associado à maior sala subterrânea deste tipo existente em Portugal; iria degradar irreversivelmente o Vale do Mar, uma formação de elevado valor paisagístico; e iria provocar poluição hídrica (não estudada) numa área altamente sensível — um conjunto de impactes inaceitável no coração do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, criado precisamente para proteger este tipo de valores.
O estudo de impacte ambiental da pedreira “Vale Maria” é um documento de fraca qualidade, que contém erros e omissões grosseiras em matérias essenciais, subvalorizando os impactes ambientais negativos muito significativos do projecto.
As associações signatárias exigem portanto a reprovação do projecto da pedreira “Vale Maria”, bem como procedimentos de consulta mais transparentes.

1. Documentos (in)disponíveis para consulta

Apenas se encontra disponível para consulta on-line o resumo não técnico (RNT) do estudo de impacte ambiental (EIA). Com a tecnologia de informação ao nosso dispor hoje em dia, esta omissão é inaceitável e só pode ser interpretada como uma vontade deliberada de dificultar o acesso à informação. Parece-nos igualmente inaceitável que o projecto não esteja listado no website da Agência Portuguesa do Ambiente, que como autoridade nacional está comprometida a fazê-lo (sem prejuízo de se encontrar também no site da Comissão de Coordenação Regional de Lisboa e Vale do Tejo na qualidade de autoridade de AIA para este processo). Ver a propósito as recomendações do Conselho Consultivo de Avaliação de Impactes Ambientais sobre a transparência de informação.
Até ontem (5 Março) a versão do RNT on-line tinha um formato não standard e estava incompleta, faltando-lhe designadamente a cartografia com a localização do projecto. Esta falha só foi rectificada depois de elementos das associações signatárias terem reclamado junto dos serviços da CCDRLVT.
Por estes motivos, apenas nos foi possível consultar, tardiamente, o RNT do EIA.
Podemos ainda referir que o RNT está muito longe de cumprir o código de boas práticas aplicável. A linguagem é hermética, o texto é demasiado longo e cheio de matéria irrelevante para um leitor leigo, e é omitida informação fundamental sobre os reais impactes do projecto: nuns casos nem sequer foram estudados, noutros são subvalorizados.

2. Valores protegidos ameaçados

A pedreira proposta designada “Vale Maria”, do proponente Ferrarias, localiza-se em pleno Vale do Mar, um vale seco quase horizontal com características paisagísticas raras no contexto do modelado cársico superficial do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. A pedreira irá desfigurar completamente o Vale, destruindo irreversivelmente uma paisagem de características únicas — paisagem essa já confinada pela presença doutras pedreiras, embora até agora sem violar o coração do Vale do Mar.
Dentro do perímetro designado para a nova pedreira, encontra-se o Algar das Gralhas, que será quase certamente destruído caso a pedreira se concretize. Trata-se de uma gruta bem conhecida, com várias topografias publicadas, e.g. por Ferreira (2000). A entrada é um poço de 10 m; a sala principal, que se projecta para dentro da área da pedreira em apreço, apresenta um desenvolvimento de cerca de 50 m e ostenta um concrecionamento interessante. Há várias hipóteses de continuação por explorar. A gruta está referenciada como abrigo de espécies de morcegos protegidas, designadamente o morcego-de-peluche (Miniopterus schreibersii). Podemos afirmar que o interesse desta gruta per si é significativo mas não extraordinário. Já o contexto em que se insere é de elevada importância carsológica, espeleológica e paisagística.
Mesmo em frente à pedreira proposta, do outro lado do vale, encontra-se o Algar do Pena e respectivo Centro de Interpretação Subterrâneo, cuja entrada se localiza a escassos 150 m do limite da pedreira; o desenvolvimento subterrâneo do algar ainda encurta esta distância. O Algar do Pena contém a maior sala subterrânea conhecida em Portugal, com cerca de 60 m x 30 m em planta e mais de 40 m de altura. O Algar é classificado como “cavidade cársica”, protegida, no plano de ordenamento do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC). O Centro de Interpretação Subterrâneo da Gruta Algar do Pena (CISGAP) é um caso único em Portugal: operado pelo PNSAC, com um programa de monitorização climático, recebe visitantes com interesses quer turístico quer espeleológico. Tem um número de visitantes significativo, pelo que a exposição do público à paisagem envolvente é igualmente significativa.
No endocarso da área podem identificar-se circulações sub-horizontais da água, nomeadamente no Algar do Pena, no Algar dos Potes I, no Algar das Gralhas e no Algar da Aderneira. Todos estes algares são importantes para compreender a circulação subterrânea nesta região, que representa uma importante reserva estratégica de água, a segunda maior em Portugal. As pedreiras provocam uma poluição hídrica não desprezável (designadamente o pó de pedra e as fugas de óleo dos equipamentos mecânicos). Isto é especialmente preocupante quando, como é o caso, as escorrências serão dirigidas para áreas com a presença de grutas sensíveis e aquíferos importantes.
Todos estes valores são expressamente protegidos no Plano de Ordenamento do PNSAC.

3. Erros e omissões do EIA

Alguns erros são crassos e demonstram, ou o completo desconhecimento do terreno, ou uma inacreditável displicência: e.g. na pág. 14 do RNT refere-se que “A Pedreira Vale Maria localiza-se a cerca de 125 metros da margem direita do rio Alviela” (na realidade, a nascente do Alviela fica a cerca de 9 km em linha recta).
O EIA diz que “Apesar de terem sido identificados 13 algares em redor da área a intervencionar, não foi possível conhecer a evolução destas cavidades cársicas em profundidade”. Traduzido em português, isto significa que os autores do estudo não se deram ao trabalho de procurar ou consultar quem soubesse; nem sequer referem o CISGAP, um dos mais importantes grutas e centros de interpretação do País.
Na realidade, existem muito mais grutas na área de estudo, muitas delas já topografadas e algumas objecto de estudo científico.
O EIA subvaloriza de forma inaceitável a significância dos impactes desta pedreira na paisagem, nos recursos hídricos, no património geológico, no ruído e no significado perante os visitantes do CISGAP da destruição do Vale do Mar.
O EIA destaca sem fundamentar a relevância económica desta pedreira, uma postura cientificamente inaceitável , especialmente perante os valores patrimoniais ameaçados . A conclusão pela aceitabilidade da pedreira é totalmente falha de fundamento.
Na fotografia aérea parte da área da pedreira proposta parece estar a ser objecto de intervenção (presumivelmente ilegal) na periferia de uma pedreira já existente. Esta questão é totalmente omissa no EIA. É igualmente omissa (pelo menos no RNT) a questão da recuperação paisagística de outras áreas, a que estão sujeitos os operadores de exploração de pedra no PNSAC.

4. Restrições legais aplicáveis

O plano de ordenamento do PNSAC  destina-se especificamente a proteger um conjunto de valores (geológicos, biológicos, paisagísticos), que são claramente ameaçados ou destruídos por esta pedreira. Como tal, os objectivos genéricos do PNSAC e as restrições específicas da área de protecção complementar são incompatíveis com o projecto proposto.
O Decreto-Lei nº 340/2007, que regula a actividade das pedreiras, indica que zonas classificadas com valor científico ou paisagístico, que é claramente o caso dos valores aqui ameaçados, devem ter como referência uma área de protecção com um raio de 500 m, excluindo desta forma toda a área em análise (e eventualmente algumas pedreiras existentes).

5. Conclusão

Pelos motivos expostos, as associações signatárias manifestam-se frontalmente contra a aprovação do projecto da pedreira “Vale Maria” e reclamam maior transparência nos processos de consulta pública deste tipo de projectos.

Referências

Ferreira, P. (2000), Enquadramento Geológico do Algar do Pena. Relatório de estágio: Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa / PNSAC, Instituto da Conservação da Natureza.
FPE e CEAE-LPN (não publicado). Cadastro Espeleológico. Federação Portuguesa de Espeleologia e Centro de Estudos e Actividades Especiais da LPN.


LPN - Liga para a Protecção da Natureza    www.lpn.pt
GEOTA - Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente    www.geota.pt
FPE – Federação Portuguesa de Espeleologia    www.fpe-espeleo.org